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Reajuste de preços em Goiânia

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ÍNDÍCIOS DE AUMENTO DE GÁS DE COZINHA

Esquema engorda lucro com gás (MP)

Fonte: O Popular 12/03/2011

Motivo ainda não tem, mas o gás de cozinha (GLP) começou a ser vendido ontem em Goiânia, em boa parte dos depósitos, por R$ 41,00. O reajuste de 5% para o consumidor é apontado como consequência do reajuste de 7% repassado pelas distribuidoras. A nova tabela das distribuidoras, porém, só começa a vigorar a partir de terça-feira, segundo a Associação Brasileira dos Revendedores de Gás (Asmirg).
Apesar de as distribuidoras não confirmarem o aumento para os depósitos, a diferença de preços já começa a aparecer na capital. Todos os sete estabelecimentos visitados na tarde de ontem pelo POPULAR, em cinco bairros da capital, já cobravam pelo botijão de gás de 13 quilos entre R$ 41,00 e R$ 42,00. A alegação de todos é a mesma: repasse para o consumidor do reajuste das distribuidoras.
O gás de cozinha era comercializado até quinta-feira com preço médio entre R$ 39,00 e R$ 40,00. Diante do anúncio de correção das distribuidoras, os depósitos aproveitaram para antecipar o reajuste e, de quebra, lucrar mais com o estoque antigo. Segundo proprietários de estabelecimento, a pressão do setor varejista é forte contra quem deseja manter os preços fora do cobrado pelo mercado e não há outra saída, senão, aumentar.
"Estamos antecipando mesmo para lucrar mais. Pagamos cerca de R$ 25,00 hoje para a distribuidora e vendíamos por R$ 39,00. Com o novo preço de R$ 41,00 que começou hoje (ontem), vamos lucrar R$ 16,00 por cada botijão. Antes, o lucro era de R$ 14,00. Para quem vende muito, esse lucro a mais pode chegar a até R$ 5 mil", afirma o proprietário de uma revenda no Setor Oeste.
Pressão: O presidente da Asmirg, Alexandre José Borjailli, confirma a existência de uma forte pressão por reajuste dos preços do gás de cozinha em Goiás. Segundo ele, a manipulação do aumento por parte de grandes varejistas e representantes do Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás do Centro-Oeste (Sinergás) sobre a revenda para igualar os preços é fruto da retaliação de grupos organizados em todo o Estado.
Ele afirma que ocorre um aumento direcionado para a equiparação dos preços dos revendedores para transformar o gás de cozinha num negócio altamente lucrativo, principalmente para os grandes vendedores. "Com o preço lá em cima, os grandes varejistas lucram muito mais. Por isso, pressionam os pequenos vendedores a cobrarem o mesmo preço deles", revela.
Alexandre Borjailli acrescenta que as distribuidoras ainda não repassaram o aumento para as revendas em Goiás. "O reajuste de R$ 2,00 das distribuidoras começa semana que vem, de forma pulverizada em todo o Estado de Goiás. Logo, não há justificativa", ressalta. Borjailli diz que o aumento "abusivo" já foi comunicado ao Senado, Ministério da Fazenda, Ministério Público Federal e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Procurado pelo POPULAR, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigas) afirma que não comentaria preços. Segundo nota, não há tabelamento e, por isso, os valores sofrem variações para cima e para baixo de maneira não uniforme.
ENTREVISTA | DONO DE DEPÓSITO
"Querem formar um cartel"
Em um depósito modesto na periferia de Goiânia, o revendedor de gás João (nome fictício) revela receber ameaças para aderir ao alinhamento do preço do gás de cozinha por varejistas e por representantes do Sinergás. Segundo ele, as pressões têm por objetivo antecipar um aumento das distribuidoras de R$ 2,00, que deve entrar em vigor a partir da próxima semana, para, assim, deixar o preço do botijão em toda a capital nivelado.
O que estão está acontecendo na venda de gás?
Querem monopolizar o preço do gás, fazendo um cartel. Querem levar o preço do Sindicato (das Empresas Revendedoras de Gás do Centro-Oeste - Sinergás) para todos os depósitos. Querem atrapalhar a lei da concorrência, visando somente o lucro. No caso, quem está vendendo o gás um pouco abaixo do preço, sofre pressão para levantar o preço e igualar todo mundo num preço igual.
Como é feita essa pressão?
Eles ligam ameaçando, chamando para uma reunião imediata. Dizem que todos os depósitos vão se reunir para derrubar quem estiver com preço mais baixo. Dizem que vão fazer denúncia no Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial ), dizendo que os depósitos que estão vendendo com preço mais baixo estão colocando água ou areia no botijão.
Quando começaram as ameaças?
Há cerca de 20 dias, quando aconteceu o primeiro aumento das distribuidoras. Mas muitos depósitos não repassaram para o consumidor o aumento. E eles desistiram. Agora, com o anúncio de nova alta das distribuidoras, eles voltaram a pressionar.
Quanto vocês pagam pelo gás na distribuidora?
Vai sair em torno de R$ 27,00 ou R$ 27,50. Mas esse preço ainda não entrou em prática. A notícia começou a circular ontem (quinta-feira). As distribuidoras estão avisando que vão aumentar na próxima semana. Ainda pagamos cerca de R$ 25,00, R$ 25,50. Eles estão dizendo que o gás vai para R$ 34,00
Eles pedem para que vocês vendam o gás a quanto?
Entre R$ 40,00 e R$ 45,00 para acompanhar o aumento que ainda vai chegar das distribuidoras na semana que vem e para todo mundo vender igual e formar cartel.(Ricardo César)
História de investigação por abusos
O presidente do Sindicato das Empresas Revendedoras de Gás do Centro-Oeste (Sinergás), Zenildo do Vale, não foi encontrado pela reportagem para comentar as denúncias de cartel do gás em Goiânia, apesar de várias tentativas de contato, via celular e telefone do sindicato, por várias vezes.
Há quatro meses, a Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, concluiu investigação sobre cartel na revenda de gás de cozinha na Região de Goiânia e Entorno. A secretaria recomendou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a condenação do Sinergás e de seu presidente.
Segundo apurou a SDE, houve prática anticoncorrencial e lesiva aos consumidores da região entre 2005 e 2009. O processo foi instaurado a partir de denúncia do Ministério Público estadual (MP-GO), que apontou indícios de que o sindicato, por meio de seu presidente, atuava de forma ilícita coordenando as revendedoras de gás para promover um alinhamento dos preços cobrados aos consumidores. Não pode haver tabelamento no mercado de gás.
A SDE concluiu ainda que o sindicato e seu presidente cometeram, de forma reiterada, infração à ordem econômica, ferindo a Lei Brasileira de Defesa da Concorrência. Entre as evidências apontadas pelo MP-GO estão comunicações feitas pelo sindicato nas quais constariam recomendação para fixação de preço de comercialização do botijão de gás e a determinação de datas e porcentuais para futuros reajustes dos preços.
http://mpconslz.blogspot.com/2011/03/indicios-de-aumento-de-gas-de-cozinha.html